quarta-feira, 15 de setembro de 2021

CHEFE DA SVS PARTICIPA DE REUNIÕES EM LARANJAL E MONTE DOURADO E TRANQÜILIZA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO AO RISCO DA SÍNDROME DA URINA PRETA

Tambaqui | uma das espécies afetadas pela toxina Haff

 
Fiscalização na feirinha do peixe em Laranjal do Jari 

O superintendente de Vigilância em Saúde do Amapá, Dorinaldo Malafaia, participou de reuniões com equipes locais da Vigilância Sanitária em Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, e no Distrito de Monte Dourado, no Oeste do Pará, para discutir estratégias visando evitar que a população local seja vítima pela Síndrome de Haff, conhecida como urina preta, cujo transmissor são peixes como o tambaqui, pirapitinga, badejo, arabaiana ou crustáceos como lagosta, lagostim, camarão.

A Secretaria Municipal de Saúde  de Laranjal do Jari, através do Departamento de Vigilância em Saúde também tem realizado fiscalizações e orientações aos peixeiros da região sobre os cuidados que devem ter na aquisição, manuseio e conservação dos pescados.

Não há nenhum caso da doença no Amapá, e até agora não nenhuma razão para que a população deixe de consumir o pescado, pois a maioria do pescado consumido localmente vem dos municípios da Costa do Amapá e dos Estados do Maranhão e Mato Grosso, ou seja, de áreas onde não existe incidência da síndrome de Haff. Os casos suspeitos estão concentrados nos Estados do Amazonas, na Bahia, no Ceará e no Pará

Dorinaldo Malafaia | Chefe da SVS Amapá. 


Circulam nas redes sociais e internet vídeos que tentam causar o pânico na população com informações mentirosas.
“Há um vídeo que foi publicado há de mais de dez anos no qual mostra larvas dentro dos peixes, entretanto, é importante que se saiba que a Síndrome de Haff é uma toxina que pode ser causada por seres invisíveis como bactérias e fungos, e não por vermes ou larvas de outros seres”, explicou Malafaia.

Quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada, ele cria uma toxina sem cheiro e sem sabor. Ao ingerir o produto, mesmo cozido, a toxina provoca a destruição das fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro dessas fibras no sangue, ocasionando danos no sistema muscular e em órgãos como os rins.

O chefe da SVS informou que está sendo feito um levantamento sobre as origens do abastecimento do Amapá, mas já é de conhecimento de todos que os peixes como pirapitinga e tambaqui são trazidos em sua grande maioria do Maranhão e Mato Grosso.

Dorinaldo ainda enfatizou que a Sindrome de Haff foi descoberta em 1924 e que até hoje a literatura científica não tem uma certeza sobre a origem da doença. “É importante que os comerciantes façam a evisceração (retirada das vísceras) dos peixes e redobre os cuidados com o acondicionamento”. O fato é que a toxina só é produzida quando o peixe começa a se estragar.

Uma vez contaminada, ocorre na pessoa uma extrema rigidez muscular de forma repentina, dores musculares, dor torácica, dificuldade para respirar, dormência, perda de força em todo o corpo e urina cor de café, pois o rim tenta limpar as impurezas, o que causa uma lesão na musculatura. A doença causa muitas dores musculares, lembrando a dengue, porém sem febre. Os sintomas costumam aparecer entre 2 e 24 horas após o consumo dos peixes ou crustáceos.

Apesar de perigosa, a doença tem cura e a hidratação é fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas, uma vez que assim é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, o que favorece sua eliminação através da urina. Nos casos graves, pode ser necessário fazer hemodiálise.

Ao sentir dores musculares e apresentar urina escura após o consumo de peixes ou crustáceos, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.


Ivan Lopes, da Redação do Tribuna do Vale. 

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